E, mais uma vez, fez-se a pizza.
A frase é o final de uma história que sempre se repete no nosso Congresso Nacional ou Pizzaria Nacional, como chamam alguns. Não importa quem fez e o que fez. No final, tudo acaba em pizza mesmo.
Desta vez, a diferença estava no ‘recheio’, que teve ingredientes mais pesados. Teve carne de boi – vendida a preço superfaturado - e teve laranja – que comprou rádio em nome de figurão da política. A pizza foi tamanho família, tanto que bancava até pensão alimentícia.
Para construir o forno, fez-se lobby para uma construtora. Afinal, uma mão ‘lava’ a outra. O cardápio não é necessário. Só muda o nome da pizza, o gosto é sempre o mesmo.
Enquanto a massa - não a da pizza, mas a do povo- reclamava e pressionava por um final diferente do comum, com punição para os culpados, nossos pizzaiolos de Brasília apenas aqueciam o forno e preparavam mais uma refeição de mau-gosto.
O tempo foi passando, a massa sendo sovada e o tempero adicionado: pitadas de ironias, um punhado de discursos emocionados no plenário do Congresso e um toquezinho de silêncio, afinal para que se explicar? No final, todo mundo é inocente mesmo. Pelo menos, até que se prove o contrário. E como em Brasília tudo acontece ao contrário...
Quando todo mundo pensou que teríamos uma lição de justiça e o início de uma nova fase, a mudança de ramo do Congresso, foi que se viu que fazer pizza é uma vocação, praticamente um dom de nascença ou então de ocasião. Depende do freguês.
Tudo começou a mudar quando resolveu-se que a sessão de preparo da pizza seria secreta. Deve ter sido medo de que a receita do prato ‘vazasse’. Afinal, pizzaiolo que se preze não revela os detalhes da ‘fornada’.
E o preparo da massa – da pizza – foi emocionante. Passo a passo, voto a voto, o cenário foi sendo montado. A outra massa – a do povo – até ficou com água na boca, mas o resultado final...
Sempre tem aqueles que não querem meter a mão na massa. Dessa vez, foram seis senadores. E a abstenção, em vez de ajudar a evitar a pizza, acabou dando o toque final. E o corpo fora veio a ‘calhar’.
Depois de empurrar a pizza goela abaixo do povo, ainda vão fazer a gente pagar a conta.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
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